Vamos acabar com a imagem do Contador!

Há muito tenho utilizado este espaço para, de uma forma ou de outra, tentar enaltecer o ofício dos profissionais contábeis. A palavra “acabar”, no título deste texto, pode chamar a atenção e, porque não dizer, soar como algo deselegante e até mesmo pejorativo, pois, o que todo empresário contábil tenta fazer é justamente o contrário: erigir a sua imagem e a da sua empresa.

Mas, na minha visão, há um bom tempo penso ser necessário sim desconstruir a imagem do profissional contábil para que se possa criar uma nova identidade perante a classe empresarial. Isso inclusive já foi tema que discorri em matérias anteriores aqui publicadas.

Explico melhor: alguns (para não dizer muitos) empresários, nossos clientes, têm enraizado em suas mentes e em seus conceitos que o profissional contábil é aquele sujeito introspectivo, sentado atrás de uma mesa, com uma pilha de papeis e que todo mês faz três coisas básicas: cobrar altos honorários, recolher a documentação referente às transações da empresa-cliente e gerar e entregar as guias para que ele (empresário) possa pagar em dia os seus tributos.

Essa imagem, infelizmente, tem sido construída por muitos, ao longo dos anos! Muitos colegas de profissão com quem converso sobre esse assunto relatam que passam pelas mesmas dificuldades, comuns a todos nós.

Comentei recentemente nesta coluna, sobre alguns aspectos atinentes a esse tema e não vou agora repeti-los; escreverei hoje sob outra perspectiva que, ao meu ver, completa o que tenho defendido.

Entendo que a pouca valorização da profissão por parte dos nossos clientes, em grande conta é incentivada pelo “canibalismo” colocado em prática por outros escritórios (escritórios, não empresas contábeis); estabelecimentos esses que teimam em depreciar ou até mesmo, sem perceber, desonrar nossa classe praticando honorários completamente descabidos. Tudo na ânsia de captar “novos” clientes. Há uma imensa dificuldade do mercado em superar velhos conceitos nesse contexto. Mas creiam: isso é errado!

Além disso, existe um grande número de informações que deixam a classe em dúvida sobre o próprio futuro. De um lado os CRCs/CFC (Conselhos Regionais e Conselho Federal de Contabilidade) criam campanhas de valorização da classe, inclusive trazendo números de outros países indicando que a profissão cresce em todo o mundo. Do outro lado, a nossa realidade, aonde a Receita Federal já chegou a dizer que prevê substancial redução dos escritórios de contabilidade, pois muitos proprietários estão buscando um novo rumo.

E não é que nesta semana li uma matéria em um veículo de grande circulação nacional apontando que a profissão de contador é uma das muitas em fase de extinção, em razão de novas tecnologias que a substituirá. Absurdo, mas li!

Que os clientes não percebam a diferença nos serviços dos escritórios contábeis (volto a enfatizar: escritórios, não empresas) optando sempre pelo mais barato pode até ser compreensível; mas o profissional da área contribuir com isso, aí já é demais!

Eis porque a tal desconstrução (de imagem) é necessária. Ela, em síntese, mostrará que a sua empresa de contabilidade (agora sim, empresa) é ativa, que pode sim fazer uma diferença imensa na gestão das empresas-clientes.

Fazer valer que a empresa contábil é um agente ativo no desenvolvimento empresarial e age como um fator decisivo na tomada de decisão é nossa obrigação. O Contador, mais do que nunca, precisa tomar a postura de empresário responsável e agir.

Insisto: falta ao Contador olhar um pouco mais para si e enxergar com lucidez todo o seu potencial e, assim, surpreender o cliente com uma postura totalmente diferente da maioria, fazendo com que ele encontre na sua empresa todo o apoio que necessita e possa reconhecer isso.

Essa empreitada não demanda investir um caminhão de dinheiro, mas simplesmente adotar outra postura, outro pensamento.

Acreditemos, pois, que isso é sim possível!

Milton Braz Bonatti

Share:

Deixe uma resposta