Você resolve abrir uma empresa, mas está perdido na burocracia. Não sabe como conduzir esse processo e nem sabe qual o montante de tributos a que estará sujeito assim que começar a funcionar formalmente.
A quem recorrer?
A resposta aparentemente é simples. A escolha de uma empresa contábil lhe dará retorno no que se refere a uma ajuda profissional; mas, a dúvida de muitos nessa situação reside no seguinte: como escolher um profissional ou uma empresa para a prestação desses serviços, que realmente seja confiável?
É importante que se diga que, em nosso País, a profissão contábil é auto regulamentada e os profissionais do ramo estão sujeitos às regras dos Conselhos Profissionais. Isso significa que os contadores só podem exercer seus direitos e obrigações e só podem se responsabilizar pelos trabalhos técnicos (execução da contabilidade, escrituração fiscal, departamento de pessoal, levantamento de demonstrações contábeis, perícias e tudo mais) após estarem habilitados e devidamente registrados no Conselho. Mas, será que, apesar das responsabilidades contábeis, a sociedade, em especial o proprietário de empresa, tem a noção exata da importância e do rigor imposto ao contador?
Embora a imagem do contador na sociedade tenha melhorado, boa parte ainda conserva certa miopia e vê o profissional estritamente como um mero emissor de guias, ou seja, aquele que não agrega nada ao negócio; pior… só dá despesa.
É fato que o Brasil tem uma carga tributária altíssima além, é claro, de uma burocracia que demanda milhares de horas anuais gastas na composição das obrigações com o Fisco. Mas que culpa o contador tem disso? Por sinal, entre os principais entraves enfrentados pelos contadores está justamente a burocracia dos órgãos públicos que, com as constantes mudanças na legislação, apenas dificulta seu trabalho. Mas isso é “café pequeno” para quem abraçou essa profissão. O que realmente machuca é a falta de valorização dada pela sociedade.
Entre muitos outros desafios, do lado de dentro das empresas (ou escritórios) contábeis no Brasil, estão mais de meio milhão de profissionais contábeis que, mesmo desvalorizados, entendem a importância da sua profissão para a sociedade como um todo e tentam exercê-la dignamente. Existem, é claro, os charlatões, mas isso é assunto para outro artigo.
Contrário à relevância da profissão contábil em outros países, por aqui a imagem do contador, até mesmo perante a imprensa, parece relativamente equivocada e muitas vezes é apresentada de forma atrelada a trambiques, desvios de dinheiro ou de caráter e até mesmo de forma menos nobre.
São muitos os casos que mostram essa incoerência e desinformação da sociedade quanto às atribuições, responsabilidades e importância da função do contador. Afinal, quantas vezes não vemos veiculada a expressão “fraude contábil” para explicar os crimes financeiros?
Assim como cabe ao contabilista apenas realizar o registro do que aconteceu de fato, será muito raro ou mesmo improvável vermos divulgações de ações positivas realizadas pela área da contabilidade publicadas em massa, de forma espontânea pela imprensa; pelo contrário, é bem mais fácil ver as páginas dos jornais cobertas com termos como “caixa dois”, “contabilidade criativa”, “manobras contábeis”, dentre outros termos que forçam conceitos antiéticos e imorais para o setor contábil.
Enfim, para minimizar a questão, é vital que a sociedade e, sobretudo, os empresários brasileiros sejam conscientizados acerca da importância e da seriedade da contabilidade como ciência. E nós, contadores, não soframos com a visão que ainda se tem, de que esse profissional apenas onera e faz um trabalho repetitivo, chato e sem importância ou relevância. Um mero registrador de fatos.
Acreditem, o bom Contador não é um vilão!
Milton Braz Bonatti