Perdi meu emprego, vou abrir meu próprio negócio. Você realmente está preparado?

Neste 1º de maio, Dia do Trabalho, o tema é adequado.

Em razão da crise pandêmica vivida há mais de um ano, muitos brasileiros perderam seus empregos e se viram em uma situação econômica bastante complicada, pois, além desse dissabor pessoal, as perspectivas de recolocação a curto prazo no mercado de trabalho se tornaram desanimadoras.

O que fazer diante desse cenário? A alternativa mais simplista, na visão de muitos é: “Serei meu patrão; vou investir minha indenização e minhas economias na abertura do meu próprio negócio”.

Essa decisão, porém, tem de ser acompanhada de muita segurança; a vida como pessoa jurídica não é assim tão parecida como a de uma pessoa física. Passar de empregado a empregador demanda certas habilidades que sequer sabemos se possuímos.

Não estou aqui tentando dissuadir aqueles que tenham esse propósito, mas sinto-me compelido a contribuir nessa séria decisão. A regra sempre foi a mesma, mas diante de um cenário econômico turbulento e incerto como o atual, ela deve ser ainda mais observada: antes de se aventurar em uma nova empreitada é necessário pesquisar, planejar e certificar-se de que a alternativa escolhida realmente é a mais acertada. Só assim o aspirante a empresário correrá menos riscos.

Atendo-me à minha área de atuação, a contabilidade, asseguro que um dos riscos mais ignorados nesse contexto é quanto à legalização do novo empreendimento. Não basta apenas querer empreender, mas sim fazê-lo de forma segura e ao mesmo tempo mais vantajosa em relação à legislação vigente no país.

Tentarei esclarecer alguns pontos que considero importantes:

Diferenças na constituição de uma pequena empresa: é muito importante entender as distinções entre as categorias possíveis para o seu negócio e definir em qual delas a sua empresa se enquadraria. Em síntese, o que determina a melhor opção é o limite de faturamento bruto anual. Com faturamento anual de até R$ 81 mil, a melhor opção deve ser o registro como microempreendedor individual (MEI), que é para quem, basicamente, irá atuar de forma solo, sem sócios. Essa opção permite a contratação de apenas um funcionário. Na sequência, é possível registrar-se como uma microempresa (ME), com faturamento de até R$ 360 mil por ano; essa opção é para quem planeja ter um sócio e deseja contratar mais de um funcionário. E para aqueles projetos que já nascem um pouco maiores, é possível registrar-se como uma empresa de pequeno porte (EPP), que prevê um faturamento anual com limite de até R$ 4,8 milhões.

Definição do melhor regime de tributação para o empreendimento: no Brasil, existem quatro modelos de regimes tributários – o SIMEI, o Simples Nacional, o Lucro Real e o Lucro Presumido – que vão reger e indicar quais são os tributos que as empresas precisam pagar ao Fisco. Aconselhe-se com um bom profissional da Contabilidade que, com certeza, lhe ajudará a escolher a melhor opção, de acordo com o tamanho do seu empreendimento.

Franquia versus atividade própria: estatisticamente, os números mostram que a média de franquias fechadas todo ano é menor do que a média dos fechamentos das demais empresas em geral. Isso se dá, entre outras razões, porque as franquias têm um formato mais conservador de atuação, dentro de um modelo testado, bem controlado e atuando com produtos renomados; porém, nenhuma das duas alternativas estará imune às oscilações econômicas, nem trará retorno financeiro rápido ou imediato. O tempo para que uma empresa passe a ter lucro dependerá de muitos fatores. De imediato, é importante saber que ela só lucrará a partir do momento que ultrapasse o nível do seu ponto de equilíbrio, que é o faturamento mínimo mensal necessário para cobrir todos os custos da empresa. Essa conta não é assim tão simples, mas uma consultoria especializada poderá ajudá-lo nesse cálculo.

Não precisamos ir mais além para que percebamos que abrir um novo negócio demanda iniciativa, coragem e, acima de tudo, orientação.

Milton Braz Bonatti

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