O líder deve jogar na posição certa

Independentemente de ser uma grande empresa, com milhares de funcionários, ou simplesmente um pequeno negócio, o conteúdo deste texto se aplica a todas as organizações.

Infelizmente, muitos líderes gastam uma energia descomunal no desempenho de papéis que não competem às posições que ocupam. Isso pode ocorrer por uma série de fatores, como por exemplo, não saber delegar, não conseguir abrir mão das funções que exerciam no cargo anterior e até mesmo pelo fato de insistirem em cultivar “trabalhos de estimação” em sua rotina (aquele tipo de tarefa que não dá resultado algum, mas o gestor adora fazer).

Contudo, nem sempre o problema está apenas nos líderes. Várias empresas não se preocupam em descrever com clareza as principais atribuições dos cargos de gestão, ignorando o fato de que as pessoas se dedicam a coisas que não deveriam quando seu escopo de responsabilidades é mal delimitado. Uma simples, porém, bem elaborada descrição de cargos e funções resolveria boa parte desses problemas!

É importante entender também que não adianta se apegar apenas ao título da posição para descobrir o que a pessoa faz (ou deveria fazer), pois as empresas nem sempre utilizam a nomenclatura correta para os seus cargos ou ela serve apenas para conceder prestígio e status ao seu ocupante. Nada mais!

É por isto que às vezes você descobre que o supervisor de uma empresa faz o mesmo trabalho que o gerente ou o diretor de outra, que faz o mesmo que o coordenador de uma terceira e por aí vai.

Eu mesmo já perdi a conta de quantas vezes conversei com alguém que apresentava como credencial o fato de ter sido gerente em seu último emprego, só que até mesmo para demitir um auxiliar que não tinha uma boa performance precisava do aval de “alguém de cima”. Ou seja, tinha a posição, mas de fato não gerenciava.

Mais importante do que o título do seu cargo, é saber identificar o papel de gestão que você realmente ocupa em sua empresa – estratégico, tático ou operacional –, pois é ele que dá a noção exata do tipo de trabalho que você precisa desempenhar.

Quem é responsável por liderar um grupo de pessoas que executa tarefas de curto prazo, atua numa posição operacional e geralmente é chamado de líder de equipe, encarregado ou supervisor. Por outro lado, se você lidera pessoas que cumprem uma missão operacional e está subordinado a alguém do alto escalão, então tem um papel tático, provavelmente conhecido como coordenador ou gerente, que goza de autonomia para escolher o modo como busca os resultados e seu desempenho é medido no médio prazo; isto é, você já não tem de atuar como “bombeiro” a todo o momento, pois a sua missão principal é garantir que a estratégia da empresa seja implementada pelas áreas funcionais.

Agora, se a sua rotina é repleta de tomadas de decisões que buscam perenizar a empresa ao longo do tempo, se você lida com inúmeras incertezas, se teme que os cenários desejados não se realizem e vive a angústia de não saber no curto prazo se as escolhas de hoje são acertadas – já que o impacto delas só aparecerá mais adiante – então o seu papel é estratégico. Estão neste grupo todos aqueles que atuam como gerentes gerais, superintendentes, diretores, vice-presidentes e presidentes.

Como já deu para perceber, para jogar na posição correta é muito importante prestar atenção naquilo que você faz em seu dia a dia e, principalmente, no que jamais deveria fazer.

Uma dica: em vez de ficar brigando por um título de cargo mais pomposo, procure se envolver em trabalhos que tenham a ver com a sua função, que sejam cada vez mais significativos e desafiadores ou que confiram a experiência que você precisa obter. No fundo, é isso o que importa!

No mercado de trabalho, qualquer profissional, equipe ou empresa, são pressionados pela concorrência. Isto gera a necessidade de que as empresas sejam diferentes em relação às demais e, para isso, contar com uma direção hábil em liderar, jogando na posição certa, é fundamental.

Milton Braz Bonatti

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