Estaríamos no fim da profissão contábil?

Tenho me deparado com publicações em revistas e jornais do país tecendo comentários nada animadores sobre o futuro da profissão contábil. Esses veículos de comunicação, sem qualquer fundamento, preveem que algumas carreiras ou profissões, incluindo a contábil, estariam com sérias dificuldades para continuar existindo.

Esses jornalistas afirmam que o avanço significativo de programas de automação empresarial e de inteligência artificial, que desenvolvem tarefas nas diversas áreas das empresas, serão os algozes dessas profissões. Digo mais: os comentários vão até ao absurdo de afirmar que os profissionais da contabilidade são irrelevantes e até dispensáveis para algumas empresas.

Do meu ponto de vista, esse é um lamentável equívoco. Imaginar que as máquinas e os sistemas inteligentes substituirão os contadores é, no mínimo, inconsequente. Somente quem não conhece, na prática, essa atividade, poderia fazer uma afirmação dessa natureza.

Do mesmo modo, só quem não sabe, por exemplo, o quanto os profissionais de medicina precisam estudar para se capacitarem, acredita que uma máquina pode fazer um diagnóstico confiável sobre uma doença grave e com sintomas novos.

As máquinas não pensam, não analisam, não interpretam e não fazem reflexões coerentes. Elas são programadas para cumprir determinadas orientações. A principal função de uma máquina é facilitar os controles e agilizar a guarda e a obtenção de informações da empresa ou de outras instituições. A parte inteligente, analítica e criativa fica por conta das pessoas. Simples assim!

Será que um “robô” ou, como queiram chamar, essas máquinas, seriam capazes de defender ou acusar um suspeito, com argumentos convincentes, perante um juiz, substituindo um advogado ou um promotor?

Isso não vai acontecer nunca. Repito: nunca!

Estamos muito, mas muito longe desse momento, se é que ele vai chegar um dia. Há, é claro, alguns avanços em todas as áreas, mas eles são no sentido de facilitar o trabalho e não de substituir a presença humana. A decisão sobre o que fazer a partir de determinado diagnóstico, cabe a um especialista, seja na profissão que for.

A tecnologia avançou bastante e está presente em muitos ambientes. Ela continuará invadindo empresas, hospitais, escolas, indústrias etc. Contudo, a presença das pessoas, quando o assunto for a tomada de decisão consciente, será sempre indispensável. Sabe por quê? Porque, consciência, só nós humanos temos. Inteligência Artificial, o próprio nome diz, é artificial.

É evidente que algumas atividades que eram feitas manualmente ou mecanicamente passaram a ser realizadas por meio de sistemas inteligentes. É o que chamamos de automação empresarial. Claro que muita gente perdeu o lugar para a máquina, mas é fácil observar que foram vagas de trabalhos meramente mecânicos, que exigiam pouca criatividade e raciocínio. Vamos usar um exemplo fácil de ser entendido: os ascensoristas de elevadores praticamente desapareceram. Note-se que eles desenvolviam atividades meramente mecânicas, acionando um comando para fazer o elevador subir, descer ou abrir e fechar a porta. Convenhamos, não era preciso ter conhecimento específico para desenvolver tal atividade.

Em contabilidade é diferente. A máquina não sabe classificar lançamentos nem analisar um evento que implique modificações no patrimônio de uma empresa. Também não seria capaz de constituir uma provisão tecnicamente correta ou, então, de emitir opinião sobre a escolha de um regime tributário que possa refletir benefícios fiscais para uma empresa.

Portanto, conclui-se que, o computador e os sistemas inteligentes continuarão evoluindo para servir e ajudar a todos; mas, daí afirmar que a máquina irá ocupar o lugar do ser humano, há uma distância enorme.

Estou convencido disso e tenho motivos suficientes para fazer essas afirmações pois, decidi me aliar à tecnologia logo no início da minha atuação profissional (lá se vão 52 anos) e já, naquela época, haviam previsões até hoje não consumadas.

Milton Braz Bonatti

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