É o Contador um item de primeira necessidade

Na atual fase econômica, em que os índices inflacionários são constantemente divulgados, até mesmo com chamadas jornalísticas que podem ser consideradas tendenciosas, atribuindo a este ou àquele governo (municipal, estadual ou federal) a culpabilidade pela situação, podemos extrair uma verdade: “Em tempos como o atual, o que é supérfluo precisa e deve ser eliminado do nosso dia a dia”.

Será que isso vale também, no caso da prestação de serviços contábeis?

Vai aqui a minha modesta opinião: o contador exerce um papel muito importante para a sociedade brasileira. Sem demagogia, contratar um profissional contábil é sim uma necessidade incontestável.

E mais, a contratação deve considerar que um profissional honrado e competente sabe o quanto vale o seu trabalho e, sendo assim, não pode se deixar levar pelo mercado onde se vende ilusão (cliente finge que paga e o contratado finge que realiza o serviço).

Até que a tão pretendida reforma tributária seja aprovada, não podemos negar que no Brasil temos considerável número de obrigações acessórias, que devem ser transmitidas periodicamente ao Fisco pelos contribuintes. Alheios a isso, muitos empresários, no início da sua atividade, sem mesmo se darem conta, se aventuram a pagar alguém apenas para abrir a sua empresa (formalização legal) e depois, sem pretender despender qualquer valor com um contador, passam a emitir documentos fiscais por conta própria, não tendo a mínima noção quanto às consequências desse ato e, por consequência, acabam não cumprindo com suas obrigações fiscais; não recolhendo todos os tributo devidos ou submetendo-se às responsabilidades pertinentes.

O contribuinte acaba percebendo depois, de forma forçada, que a sua empresa está irregular e em débito junto ao Fisco, ou seja, em razão de não atender às exigências impostas pela legislação em vigor, não consegue, por exemplo, emitir uma simples Certidão Negativa de Débitos – CND.

Isso ocorre por falta de conhecimento, ausência de orientação ou má fé, mas sobretudo, por não valorização do profissional contábil, por se acreditar que esse é um gasto desnecessário.

Mas, afinal de contas, quem no Brasil, com um mínimo de especialização, se submete a trabalhar para receber menos de um salário mínimo por mês?

Ora, sem aqui desmerecer qualquer pessoa que trabalha, pois todos têm a sua importância dentro de diferentes processos ou profissões. Há, porém, que se ressaltar que um contador estuda pelo menos quatro anos (apenas na formação superior), sem contar as muitas e constantes atualizações que ele tem que se submeter ao longo da sua carreira, para se manter como um profissional atualizado, sob pena de cometer erros primários na condução do seu trabalho.

Como então um empresário não consegue enxergar que para um funcionário que possui apenas o ensino fundamental, muitas vezes ele paga mais que um salário mínimo e para o seu contador, com toda a bagagem necessária que a profissão exige, ele se nega a valorizar, preiteando um valor pelo seus serviços que, em alguns casos, chega a soar como uma ofensa.

Desta forma, como os profissionais da contabilidade podem aceitar tal comportamento de seus clientes? Muitos afirmam que, se não o fizerem, o seu concorrente vai fazer. Ora, estamos diante de uma ilusão. Existem sim preços impraticáveis! Pois muitos oferecem o trabalho por qualquer valor, mas, como a prestação do serviço depende de mão de obra e esta, desde que qualificada, não é barata, corre-se grande risco de o serviço não ser entregue e se o for, será parcial ou rudimentar.

A prática de alguns preços tende a nos permitir duvidar da procedência de certas mercadorias que se pretende adquirir, não é mesmo? Entendo que isso também se aplica à prestação de serviços. Se o honorário praticado tiver valor muito baixo, desconfie, pois possivelmente será baixa a qualidade dos serviços prestados.

Pense nisto! Diga NÃO à desvalorização profissional!

Milton Braz Bonatti

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