O título de um filme da Revolution Studios, de 2004, “De repente, 30”, me serviu de inspiração para este texto. Imagino ser ele um bom conselho aos da minha geração.
O ano de 2023 já se aproxima e está chegando a uma velocidade espantosa. E, de repente, nos damos conta de que estamos envelhecendo; mas…, não nos preocupemos…; de que adiantaria? É assim mesmo. Envelhecer é um processo natural. É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. Essa lei diz que “a energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta”; portanto, tudo o que foi composto será decomposto, tudo o que foi construído será destruído. Tudo foi feito para acabar. Tenho um amigo quase oitentão que sempre repete o texto bíblico: “Não ficará pedra sobre pedra”.
Como fazemos parte do Universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo, os membros se enfraquecem, os sentidos se debilitam. Não há o que fazer a não ser relaxar e aproveitar o que ainda nos resta, sem as irresponsabilidades da juventude.
Se você deixar o seu carro no meio de uma floresta, daqui a dez anos ele estará todo corroído, desgastado, imprestável. Conosco não acontece o mesmo. Regeneramos a cada dia. Viver, independentemente da nossa idade, é o fundamental. O conselho é: viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez.
Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de situações passadas, você vai se ferir com a dor que a si próprio inflige.
O hoje é um presente, reconcilie-se com a sua situação, seja ela qual for, e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade. “O passado é lenha decomposta. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto”.
Abra mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho, para não se tornar caricatura de si mesmo. Agindo assim, você ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar o passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado, serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar? Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os vaidosos e os bonitos. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia. Para o vaidoso e feio ela é até bem vinda, fazendo a plástica, quem sabe pode melhorar…, ele ainda alimenta uma esperança.
Os feios sem vaidade são mais felizes, mais despreocupados com a beleza, pois, na verdade ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos. Já os vaidosos… ah, os vaidosos! Para eles a perfeição jamais chegará. Para eles só resta a amargura, que é o que sobra para quem se compara com as outras pessoas, pois sempre acharemos alguém melhor ou pior do que nós, seja em qual seguimento da vida for: social, profissional etc.
Assim como temos de ter perseverança em aceitar as leis da natureza atuando em nosso corpo, conspirando contra nossa juventude, na nossa vida profissional temos também de resistir aos modismos da vez. Acredite no seu taco! Afinal, tão desastroso quanto buscar a mocidade eterna são as mudanças de rumos dos negócios quando as decisões são tomadas sem critério.
Para finalizar, você não tem que experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível e com a experiência que a vida lhe proporcionou.
“Prá ser feliz, do que é que o ser humano necessita?”
Milton Braz Bonatti