Como estimular o pensamento criativo nas organizações?

Quando o assunto é relativo a permitir ou não pausas durante o trabalho (e aqui me refiro àquelas não definidas pela legislação trabalhista), as opiniões tendem a ser controversas, principalmente se a questão está sendo tratada entre patrões e empregados.

O fato é que, cientificamente, é mais do que consenso que as pausas feitas durante o período de trabalho ajudam a mudar o foco e a atenção. Quando estamos por um período de tempo prolongado mergulhados em uma tarefa rotineira, o mais provável é começarmos a nos sentir perdidos, sem conseguir avançar. O nosso cérebro cria uma espécie de hábito, não reagindo com rapidez.

Mas é claro que, para tudo, existe a medida certa. Qualquer pessoa que trabalhe numa organização, não pode permitir-se desculpa para o ócio interminável e, tampouco, no caso dos patrões, radicalizar, não autorizando pausas.

Não existe hora marcada para se ter boas ideias, inclusive e principalmente as relacionadas ao trabalho. Pode haver rituais que favoreçam o surgimento delas. É recomendável reservar um período durante o expediente para pensar, em vez de executar. É necessária uma pausa para reflexão no horário comercial. É difícil colocar isso em prática, até porque, pode ser que as melhores ideias não surjam nesse período de pausa, mas sim quando você estiver no carro, assistindo a um jogo, no banho ou se preparando para dormir.

Há quem afirme que o melhor período do dia para deixar as ideias fluírem é a manhã, quando a mente está descansada, depois de uma noite de bom sono. É aí que se tem as melhores ideias. Uma vez que as demandas na empresa não permitem que se encontre alguma brecha na agenda do trabalho para simplesmente refletir, pode-se desenvolver o hábito de fazê-lo enquanto se exerce outras atividades, uma caminhada por exemplo.

O hábito que cada ser humano deve adquirir é relaxar, estimular os pensamentos e, então, ir para a empresa motivado para executar. Trabalhar sempre no modo “automático” induz a apenas fazer o que é urgente e se esquecer do que é importante. Fazendo a devida reflexão diária, com o tempo, você não consegue mais sair desse ciclo.

A dinâmica do ambiente da empresa não favorece a introspecção criativa e o “pensar fora da caixa”. Em razão disso, muitos empresários nunca pausam o que estão fazendo, o que pode levá-los a tomar decisões erradas. Vale mais a pena sair daquele ambiente e, ao voltar, tomar atitudes mais sensatas e menos carregadas de emoções. Assim, a pessoa tende a enxergar as coisas por outros ângulos e com mais discernimento. Elas parecerão mais simples.

É admissível que, antes de aceitar essas práticas, o dono do negócio tenha dúvidas sobre a efetividade de seus resultados. Mas é preciso refletir sobre a procura por um ambiente de trabalho mais aberto e saudável, tanto em termos de relacionamentos pessoais como profissionais.

Em alguns casos, os empresários podem buscar ampliar seus horizontes a partir de exemplos mais famosos. Conta-se que Steve Jobs, por exemplo, frequentemente tirava uma semana sabática (opção para quem quer se descobrir) para pensar a Apple para o ano seguinte. Longe de querer ser famoso, eu faço isto nas semanas que passo longe da minha empresa, pescando no Pantanal ou no Araguaia.

Fazer uma caminhada, dedicar alguns minutos à contemplação, tomar uma água (ou uma cervejinha, porquê não?), favorece que as melhores ideias surjam nesses momentos. Ter uma ideia inovadora é como um jogo de xadrez: não é fácil mexer as peças no tabuleiro se temos dificuldades para enxergar as melhores oportunidades.

Quem está de fora tem uma visão mais ampla. É preciso criar esse hábito, separar um tempo para pensar melhor os processos da empresa. E para isto é necessário estar relaxado.

Pense nisso!

Milton Braz Bonatti

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