Prestador de serviço merece respeito

É impressionante como algumas pessoas desprezam o valor do conhecimento que decorre de anos de estudo, renúncia ao lazer e muita dedicação, quando pedem para um profissional que vive de prestar serviços, que faça isso ou aquilo de graça.

E falam: faça esse favorzinho, para você é fácil! Realmente, depois de ter adquirido experiência à custa de erros e até tido prejuízos para aprender a fazer corretamente, se não fosse “fácil”, esse profissional deveria estar fora do mercado.

Ignora-se que todos os bens, como o avião, automóvel, celular, televisor, computador, edificações, hospitais, shopping centers, decorrem do pensamento humano. Sem o trabalho intelectual estaríamos morando nas cavernas e andando a pé. De nada adianta a força física de 200 trabalhadores para construir um edifício sem o intelecto do arquiteto, do engenheiro e do calculista.

Causa perplexidade a postura de alguns valorizarem apenas os bens materiais. É uma afronta à inteligência achar que a informação, a consultoria, a redação de documentos ou a elaboração de projetos caem do céu. Alguns equiparam à chuva os serviços tomados, pois por ela ninguém paga!

O trabalho intelectual dos contadores, advogados, laboratoristas, médicos, dentistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, engenheiros, arquitetos etc (são muitas profissões, desculpem-me os que não citei) define nossa civilização, pois sem eles não teríamos o bem-estar, a segurança e o conforto que usufruímos.

E tem gente que não dá valor. Simplesmente agradece e diz que irá indicar o “amigo”.

Escrever qualquer um sabe, mas fazê-lo com arte, criatividade, como um publicitário, ou com coesão, imparcialidade e objetividade, como um jornalista, requer talento e estudo para tornar o conteúdo atraente. Logicamente, esses profissionais não ficaram anos aperfeiçoando seus conhecimentos para receberem um mero agradecimento. Eles, como os demais prestadores de serviços, não vivem somente de elogios, têm compromissos e contas a pagar, da mesma forma que o construtor, o dono da loja de eletrodomésticos e de móveis e os demais comerciantes.

Negar ao prestador de um serviço que colha os frutos do conhecimento que ele aprimorou para manter seu sustento e de sua família é desrespeitoso. Aquele que distorce uma situação para solicitar como favor um serviço, não faz outra coisa senão desvalorizar o suado crescimento alheio.

Sábia foi a afirmação da atriz Cacilda Becker: “Não me peça de graça a única coisa que tenho pra vender!”.

Somente os chatos e os espertalhões têm dificuldade para entender que o sucesso só vem na frente do trabalho no dicionário, pois insistem em pedir orientação ou serviço sem a devida combinação prévia de quanto custa.

Aquele que dá, sem qualquer remuneração, o que tem para vender, é o primeiro a desmerecer seu esforço e conhecimento, pois dessa maneira não conseguirá obter os bens necessários à sua sobrevivência e muito menos manter seu negócio, pois seus custos com aluguel, água, energia elétrica, empregados e estrutura não são pagos com favores. Hoje, nem relógio trabalha de graça, pois este exige bateria e esta tem preço!

Que 2023 venha com mais valorização aos prestadores de serviços de excelência. 

Milton Braz Bonatti

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