Esse questionamento é mais comum do que parece no mundo das empresas.
E é em razão dessa dúvida que muitas empresas sofrem para promover pessoas do seu quadro de colaboradores, quando essa promoção significará liderar seus parceiros de trabalho.
No dia a dia, pessoas de mesma equipe criam laços de amizade e acabam conhecendo razoavelmente bem as qualidades e os defeitos uns dos outros; muitas vezes, até passam por situações semelhantes e compartilham algumas frustrações, como a falta de reconhecimento pessoal e salários abaixo daquele que julgam ser o justo; mas, e quando um profissional é promovido e passa a liderar aqueles que antes eram seus pares?
Dizem os especialistas no assunto que, para fazer essa equação dar certo é preciso, de imediato, “separar as coisas”, ou seja, definir funções e, no ambiente de trabalho, impor limites e principalmente saber deixar as questões pessoais de lado.
Geralmente, quando um profissional é escolhido para liderar uma equipe da qual já faz parte, é porque ele tem uma postura de liderança e, em algum momento, se destacou no time. E não é por isso que vai deixar de fazer parte do grupo. Ele pode e deve manter um bom vínculo com seus pares; porém, a equipe precisa saber distinguir o colega do novo líder, e isso vai depender da postura que ele irá assumir.
O novo chefe deverá ser claro desde o princípio, mostrando que a amizade continua, mas que terá de assumir seu papel, delegando tarefas e cobrando resultados quando necessário.
A meritocracia, que está baseada na percepção dos superiores sobre o potencial e o histórico de resultados do profissional, fortalece o grupo. Se a decisão superior é percebida pela equipe como correta e merecida, esta também se sente reconhecida, pois seus integrantes vislumbram a possibilidade de crescimento em suas carreiras dentro da empresa, em razão de um exemplo concreto dessa possibilidade.
E como comunicar a mudança aos demais colaboradores? O mais aconselhável é que o responsável pela escolha informe a todos e explique os motivos, sem desvalorizar os demais. Em hipótese alguma a equipe deve saber da notícia nos corredores, mas sim, pela empresa, na presença do próprio profissional promovido. Isso traz credibilidade e confiança.
O próximo passo é o novo líder se manifestar, agradecendo a oportunidade, ressaltando os pontos positivos da equipe e pedindo a colaboração de todos, para que juntos, como sempre, alcancem os objetivos propostos e, se o “clima” no momento permitir, exaltar a possibilidade de que, no futuro, as oportunidades, como agora, possam recair sobre os demais.
Incentivar o engajamento dos colegas e manter um bom canal de comunicação é uma boa estratégia para iniciar essa nova fase. Conversar e saber ouvir são essenciais nesse momento. As pessoas querem ser ouvidas e esperam conviver num ambiente em que se sintam úteis e reconhecidas. O primeiro passo para o sucesso está em abrir esse canal. A transparência dos critérios adotados, caso a caso, também fortalece uma liderança. A postura ética e a justiça nas decisões cotidianas estarão sempre sendo observadas.
O fato do novo líder ter feito parte da equipe que está assumindo, tem uma vantagem: ele conhece um pouco de cada integrante, sabe das dificuldades, das angústias, das demandas individuais e do grupo. Isso não quer dizer que ele poderá resolver tudo do dia para a noite, mas não deixa de ser um diferencial e, a partir daí, ele poderá ter alternativas e soluções para o time.
E tão importante quanto as citações já feitas, ao assumir um cargo de chefia e liderar uma equipe, é importante saber que é necessário abrir mão de alguns afazeres e delegar tarefas para que os demais profissionais se desenvolvam através delas. Saber delegar é uma das principais e mais difíceis competências, mas é um passo indispensável para o profissional ter tempo para as ações estratégicas do seu cargo e da empresa.
Aí, não tem como não dar certo!
Milton Braz Bonatti