Passada a pandemia, vale a pena mantermos o home office?

Este sistema diminui ou aumenta a produtividade?

Uma jornada de trabalho presencial, na minha opinião, não significa aumento de produtividade e home office (trabalho em casa) não necessariamente reduz a produtividade do profissional. Tudo depende do senso de responsabilidade de cada um.

Há estudos dando conta de que longas jornadas de trabalho estão associadas a efeitos agudos de fadiga, como sonolência e desatenção, favorecendo erros e acidentes, ou seja, menos produtividade. Uma carga horária pesada, semana após semana, traz riscos de problemas crônicos de saúde e conflitos entre a vida pessoal e a profissional.

Convenhamos, tudo isso pode ser amenizado, em grande medida, pelo sistema de trabalho em home office.

Atualmente o Brasil faz parte de menos da metade dos países com carga horária semanal igual ou superior a 44 horas. Essa jornada é um dos maiores obstáculos do porquê não dar liberdade aos funcionários da empresa para realizarem suas tarefas em home office e fazerem suas entregas no tempo devido. Em alguns setores, tem ainda como contraponto a ausência do contato dos subordinados com os profissionais da área que detêm mais experiência e aí o argumento dos patrões é: “como é que essa experiência pode ser transmitida em sua plenitude?”. Argumento facilmente derrubado atualmente pela Internet.

A tendência mundial é a carga semanal de trabalho caminhar para 36 horas, ou menos. Se isso já é um problema para convencer os empreendedores brasileiros, imagine a aceitação do home office.

O Brasil, assim como outros países, tem tanto a necessidade quanto as condições de reduzir a jornada. Trata-se do cerne da relação trabalho-capital, que é o tempo de trabalho.

Historicamente, a diminuição da jornada nunca aconteceu de forma tranquila. Sempre resultou de muito embate. Na França, o limite de 40 horas, fixado em 1936, foi reduzido para 39 em 1982 e 35 no ano 2000. Apesar disso, a França segue entre os países com a melhor relação entre PIB e horas trabalhadas, à frente de potências econômicas como Alemanha, Reino Unido e Japão. Então, a conclusão é que é sim possível reduzir carga de trabalho sem perder competitividade.

Trabalhar, permaneceu por séculos como sendo atividade atrelada aos limites das estações do ano, até que a Revolução Industrial, no século XVIII, passou a esvaziar a zona rural, atraindo o pessoal do campo para o interior das fábricas nas cidades. Transformando noite em dia, a luz artificial criou turnos novos de trabalho.

Henry Ford, fundador da montadora de carros que leva o seu sobrenome, foi pioneiro na redução das horas de trabalho. Não que ele prezasse pelo bem-estar de seus funcionários. Ford percebeu que os trabalhadores precisavam de tempo livre para comprar produtos e manter a roda da economia girando. Ao justificar por que, sem reduzir salários, havia trocado a semana de 48 horas/seis dias pela de 40 horas/cinco dias, Ford disse que os trabalhadores precisavam de períodos vagos para descobrirem utilidades para produtos como o próprio automóvel.

Então, podemos concluir que, assim como os fatos citados acima revolucionaram os conceitos de horas de trabalho, o home office também o fará. Eu acredito nisso, tanto que tenho 65% da mão-de-obra da minha empresa trabalhando em casa. Só estão fisicamente na empresa os que atendem o público.

 

Milton Braz Bonatti

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