Faturamento alto não significa lucratividade alta

Entenda a diferença entre esses dois conceitos

Os proprietários de empresas, a princípio, estão sempre em busca de uma lucratividade cada vez maior; porém, é comum observarmos que, não raro, a preocupação do empreendedor está muito mais focada no crescimento do faturamento da empresa do que na composição do valor que o seu produto deve ser vendido. Isso pode ser um erro muito sério, que provavelmente, em um curto espaço de tempo, poderá impactar de forma negativa na performance da empresa.

Todo empreendimento tem como função principal gerar riqueza para as partes envolvidas, sejam elas os sócios (lucro), funcionários (remuneração), governo (tributos) ou clientes e fornecedores (bons negócios e, por consequência, lucro).

Quando uma empresa não consegue ser sustentável, ou seja, não consegue sequer saldar as suas próprias contas, ela passa a gerar pobreza, não só para si, como também para toda essa cadeia de “partes interessadas”, causando inevitavelmente algum prejuízo aos envolvidos.

É por isso que é de suma importância que a empresa tenha um planejamento detalhado de seu poder de faturamento, suportado principalmente pelo conhecimento dos seus custos e despesas, podendo assim, enxergar previamente o seu potencial de resultado (lucro ou prejuízo).

A informação antecipada quanto ao valor a ser atingido em razão dos negócios a serem realizados, seja ele positivo (lucratividade) ou negativo (prejuízo) pode ser conseguida em um relatório denominado “Demonstração do Resultado do Exercício – DRE”. Um bom profissional da contabilidade tem grande familiaridade com esse relatório, tanto para a sua confecção, quanto para sua interpretação. Sendo assim, ele pode contribuir muito com os gestores e demais interessados na tarefa de saber com clareza se a empresa explora o seu potencial de lucratividade a contento.

Não dá para administrar uma empresa sem uma robusta informação quanto ao resultado que ela poderá gerar. Esse conhecimento antecipado contribui para que se tome decisões acertadas, seja quanto a comprar ou vender mais ou mesmo fazer novos investimentos. Todas as empresas precisam dessa informação. Não importa se é uma pequena empresa que fatura alguns milhares de reais por mês ou uma grande, que fatura milhões ou bilhões.

Mas como saber se terei lucro, mesmo antes de concretizar meus negócios?

Como já mencionado, se o empresário vende o seu produto por um valor que ele simplesmente acredita que terá lucro, ou seja, sem o mínimo embasamento financeiro, ele poderá estar fadado ao prejuízo. Cada venda necessita ser precedida de uma correta formação de preço de cada produto pertencente ao portfólio da empresa. Essa ação é fundamental para que se obtenha a verdadeira contribuição que cada item a ser vendido terá na sua lucratividade, a ser apurada ao final do período.

Esse cálculo, se feito corretamente, dará ao empreendedor a possibilidade de vencer a concorrência amparado em bases sólidas para a sua tomada de decisão, ou seja, vender sabendo de antemão que haverá um retorno realmente lucrativo no negócio que está sendo realizado.

Em outras palavras, vender, simplesmente por vender (aumentando o faturamento sem margem de lucro), não faz bem à saúde da empresa. Nesse caso, é melhor deixar que seu concorrente se aventure nessa estrada, pois ela pode ser um beco sem saída.

Com essas duas providências (correta formação de preço e acompanhamento dos resultados – DRE com base em um planejamento bem elaborado) é possível antecipar o sucesso do negócio.

Dependendo do ramo de atividade, a empresa poderá ter um percentual maior ou menor de lucro em relação a seu faturamento, mesmo porque o resultado varia de acordo com os diferentes ramos de atividade, mas viajar às cegas nunca foi um bom negócio!

Milton Braz Bonatti

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