Durante muito tempo a contabilidade foi tida como sendo um “mal necessário”, ou seja, os gestores entendiam que ela apenas servia para atender às autoridades fiscais; portanto, para muitos, ela não merecia consideração. Por registrar o que já havia acontecido, prevalecia o conceito de ser ela uma ciência retrógrada, que privilegiava o passado em vez do futuro.
Ocorre que nós, os humanos, nos diferenciamos das outras criaturas exatamente por termos a capacidade de analisar e aprender com o passado, além de termos consciência de que só se pode projetar o futuro a partir das conclusões obtidas da sua observação no passado.
Esclarecido isso, fica mais fácil compreender que a contabilidade não deve jamais ser desconsiderada pelo gestor de uma organização. Dominá-la é de fundamental importância para quem almeja administrar o seu negócio não apenas de maneira eficiente, mas também com muita segurança e eficácia.
Se, no passado, o domínio dos princípios contábeis e seus reflexos já se mostrava importante, imagine nos dias atuais, com todos os problemas que a sociedade brasileira está enfrentando, sobre os quais não precisamos aqui dar detalhes ou nos alongarmos.
Considerando que os registros das transações contábeis são universalmente dotados de um padrão unificado, podemos afirmar que, com certeza, as análises de índices e indicadores advindos desses registros são matéria-prima essencial para o entendimento do negócio e, por conseguinte, torna-se uma informação rica disponível aos administradores.
Tomar decisões financeiras sem antes conhecer os resultados que os exames das demonstrações contábeis-financeiras proporcionam em termos de previsibilidade do negócio, é o equivalente a lançar uma flecha a esmo e cruzar os dedos torcendo para que ela atinja o alvo. É por essa razão que, cada vez mais, no mundo inteiro, a atividade contábil está sendo altamente valorizada.
Obviamente, não cabe ao contador tomar decisões estratégicas, mas o gestor que o faz sem ter como lastro a informação contábil fidedigna, corre sério risco de fazer investimentos que não irão trazer o retorno almejado e, por conseguinte, produzir encargos que a empresa não terá como honrar.
Muitos poderão argumentar: “eu não preciso da contabilidade, pois utilizo o Fluxo de Caixa e nele baseio minhas ações!”. Para esses “especialistas” eu afirmo: jamais qualquer controle deve ser desconsiderado; porém, a utilização de um único nem sempre é suficiente para o completo domínio da situação quando o tema é uma definição financeira.
O fluxo de caixa nada mais é do que um relatório demonstrando alguns eventos financeiros já efetivados e registrados na contabilidade, somados às premissas de receitas e desembolsos futuros que podem ou não se confirmar; já os registros contábeis se baseiam em transações concretas que, se bem trabalhadas e interpretadas podem sim demonstrar o caminho que está sendo percorrido pela organização, em razão de suas operações. Para que essa conta feche, é necessária uma interpretação mais profunda.
Tanto os profissionais do ramo contábil quanto os dirigentes dos mais diversos setores das empresas precisam saber contribuir com segurança para as decisões financeiras que precisam ser tomadas e, cada qual, arcar com a responsabilidade de seu efeito sobre o negócio e, porque não dizer, sobre a sociedade.
Foi-se o tempo em que a contabilidade era tratada como um punhado de débitos e créditos com o objetivo de gerar demonstrativos que, a não ser para o contador, de nada serviam. Conhecer contabilidade e seus desdobramentos fundamentados em análises bem feitas é parte essencial do currículo de um bom gestor no mundo moderno. Compreenda isso e terá dado um enorme passo rumo às boas decisões de negócios!
Milton Braz Bonatti