Falando de ética e honestidade

“Ética é o que você faz quando está todo mundo olhando. O que você faz quando não há ninguém por perto chama-se caráter”

O tema não é novo, ao contrário, é muito recorrente. Sempre nos perguntamos: – “Como é que certas pessoas podem ser tão desonestas?” A impressão é a de que somos constantemente roubados e passados para trás e isto gera um sentimento de revolta.

Talvez, entretanto, seja necessário olharmos com um pouco mais de ponderação sobre o que os fatos podem, na verdade, significar em relação às nossas atitudes do dia a dia.

Todas as atividades profissionais acolhem em seu meio, gente honesta e gente desonesta. Independentemente da área de atuação, sempre é possível encontrarmos pessoas habituadas ao famoso “jeitinho”, para chegarem ao que querem. Vejamos:

Nas organizações, os atos de corrupção ou de desonestidade podem se materializar através de atitudes simples ou mais complexas. Eles podem ocorrer através de uma simples mentira contada ao chefe, na obtenção de um atestado médico falso para abonar ausências não justificadas ou até mesmo através de uma nota fiscal do almoço solicitada com valor mais alto, para ganhar uns trocados com o reembolso da despesa feito pela empresa.

Às vezes pode até ser uma coisa imperceptível ao nosso senso de conformidade, como por exemplo: uma cópia para fins particulares que tiramos na máquina da empresa, ou uma caneta que levamos do trabalho para casa. E por aí vai…

Esses pequenos hábitos – maus hábitos, vale reforçar – tendem a evoluir para ações maiores e mais ousadas em termos de valores. O fraudador tende a evoluir em suas ações à medida que ele sente facilidade para as suas pretensões. A suposta necessidade aliada à oportunidade e à facilidade de execução (por ausência de controle) é um prato cheio para as ambições mais perversas.

O pior disso tudo é constatar que, possivelmente para todos nós, atos aparentemente simples e “normais” como os exemplificados neste texto não parecem estar tão longe da realidade, sendo praticados cotidianamente por nossos colegas, familiares, conhecidos e outras pessoas de nosso ciclo de convivência. Então, até mesmo inconscientemente, as falcatruas de grosso calibre também passam a ser toleradas e até consideradas por alguns aceitáveis, em razão da sua trivialidade.

O cuidado com a ética se faz necessário para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal. Atitudes oportunistas, quando levadas a uma escala maior, se transformam nos esquemas que lamentavelmente observamos há tantos anos no Brasil.

Felizmente, ainda encontramos pessoas que agem com integridade. Dá para acreditar que há pessoas que podemos considerar honestas.

O importante é mantermos sempre em mente que, por mais revoltante que seja, os gestos desonestos de outras pessoas não podem jamais justificar atitudes desabonadoras de nós mesmos. A ética e o caráter devem ser o farol do nosso comportamento, tanto no trabalho como em qualquer outro lugar.

Em qualquer profissão, a conduta ética conquista benefícios, pois o mercado valoriza cada vez mais quem se destaca devido ao seu posicionamento íntegro e honesto. Uma boa imagem atrai as pessoas e as fideliza, aumenta a confiança e, com certeza, essas pessoas compartilham informações positivas sobre você.

Em resumo, como diria Jorge Ben Jor: – “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”.

 

Milton Braz Bonatti

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