A maioria dos pequenos empresários não tem essa preocupação, infelizmente.
Os pequenos empreendedores, até mesmo pelo tamanho dos seus negócios, tendem a não possuirem uma gestão financeira adequada. É claro que essa dificuldade não está restrita a essa classe de empresários, mas é especialmente nela que se verifica esse preocupante evento.
É comum ouvirmos que os pequenos empresários brasileiros têm como principais características o fato de serem bons negociadores e terem sensatez no trato dos seus talentos humanos; mas, quando o assunto é a administração financeira, a coisa muda de figura.
Pequenas empresas, que aparentemente estão indo bem e crescendo, têm questões financeiras nada agradáveis, sejam elas relacionadas à necessidade de capital de giro para os negócios ou simplesmente uma inesperada sanção do Fisco em decorrência de um tributo eventualmente não recolhido.
Mas por que isso acontece? É porque, com certeza, estão ocorrendo duas coisas:
1. A falta de capacidade para a correta avaliação do negócio e
2. A falta de apoio profissional especializado.
O pequeno empresário, muitas vezes, desconhece ou tem uma falsa ideia quanto ao real resultado do seu negócio; via de regra, não sabe mensurar adequadamente o seu lucro ou o retorno financeiro que o seu empreendimento realmente obtém.
Entre os problemas encontrados nas pequenas empresas, estão os descuidos básicos com a organização. Antes de qualquer projeto, o empresário deveria ter um planejamento muito bem feito; ao invés disso, ainda se confia muito na intuição pessoal.
Financeiramente falando, são comuns erros primários que, se não observados, podem contribuir decisivamente para a decadência do negócio. O principal deles é a confusão que se faz no uso dos recursos financeiros da pessoa jurídica pela pessoa física, além da ausência de um controle eficaz sobre o fluxo de caixa da empresa.
Quando o pequeno empresário não trabalha com reservas para imprevistos, o que é muito comum, acaba recorrendo a créditos oriundos de instituições financeiras; ele é obrigado até a recorrer às linhas de crédito para pessoas físicas, sempre com juros mais altos, desconhecendo as linhas acessíveis às pessoas jurídicas, muitas específicas e subsidiadas.
Então, para se evitar imprevistos, a primeira orientação é a elaboração e execução de um planejamento financeiro anual cuidadoso, estimando os principais indicadores do negócio como por exemplo: os preços de compra e de venda, os gastos com salários dos empregados, aluguel, energia, água, telefone etc. Quanto mais informações, maior a capacidade de se preparar para um momento de anormalidade.
Quanto à previsão do fluxo de caixa, é preciso saber, com a máxima exatidão possível, as entradas e as saídas dos recursos financeiros que a empresa terá no período. Muitas vezes, o caixa é reinvestido sem critério e desconsiderando as reais disponibilidades ou o apetite do mercado, com o gestor alimentando apenas a esperança de que as coisas vão melhorar.
Qualquer pequeno empresário, geralmente tem ciência dos seus problemas, mas ele nem sempre dispõe de tempo ou de ferramentas que lhe proporcionem a gestão econômico-financeira-patrimonial adequada e, tampouco, o planejamento tributário apropriado; sendo assim, limita-se às ocupações do dia a dia, que é até natural e é o que ele faz melhor; mas, para evitar adversidades e dissabores, ele precisa contar com um profissional especializado que o auxilie em sua gestão, que realmente lhe dê consultoria contábil e financeira. Isto é essencial para o sucesso de qualquer empresa.
Milton Braz Bonatti